terça-feira, 27 de julho de 2010

Desafios da Grande Reportagem


Uma boa reportagem é aquela que procura transcrever a verdade sem sensacionalismo. O jornalista busca se fundamentar nos fatos da história investigada para tentar garantir a veracidade das informações. Ouvir todas as versões é o primeiro passo a ser dado, mesmo porque nem tudo o que se ouve é verdadeiro, da mesma forma que não existe uma única versão. Muitos dos trabalhos apresentados na mídia são manipulados pelos interesses das empresas de comunicação e alienados aos interesses políticos. O poder da mídia é indiscutível e conseqüentemente de grande responsabilidade, os meios de comunicação social podem mudar a história de um país, podem promover guerras e conquistar a paz, tudo depende de quem edita a história.
O jornalismo investigativo engloba todos os assuntos que despertam interesses do público, como comportamento, saúde, cultura, meio ambiente, relacionamento humano, ciência etc. A grande reportagem é uma investigação devidamente aprofundada que relata diretamente o cotidiano. A maior dificuldade é a pressão sobre o jornalista com o imediatismo das informações. As empresas de comunicação investem no hoje, no agora, neste momento. O jornalismo investigativo requer um período maior de apuração, a veracidade das informações é que garante o tempo de investigação, que podem durar dias, meses e anos, dificultando o aparecimento das mesmas nas pautas jornalísticas. O contrário acontece quando as empresas têm um grande interesse pela pauta, geralmente muito bem patrocinado por benefícios econômicos e políticos.
O Brasil tem uma carência na apresentação da grande reportagem. Poucos são os programas de TV, e menos ainda impressos destinados ao perfil investigativo, que sejam livres do jogo financeiro das empresas de comunicação, comprometendo o teor investigativo. A criação de uma mídia alternativa poderia ser o meio mais viável para a vinculação da grande reportagem, mas como ela se sustentaria fora da segurança dos meios tradicionais? A internet ou o livro reportagem seria uma das escolhas mais práticas, porém com um público muito restrito perante a turbina da comunicação de massa.
O importante na grande reportagem é o empenho do jornalista e o compromisso social assumido por ele. A maior satisfação conquistada nesta tarefa é a consciência deste papel, tanto no pessoal, quanto no profissional. A investigação não é dever de um herói, é apenas o primordial de um jornalista. A realidade do jornalismo investigativo vai além do ideal do bom repórter em busca da grande reportagem. Isto é importante, mas é pouco. Hoje seria teoricamente possível investigar e publicar as matérias, porém a ditadura empresarial limita a reportagem investigativa. Os repórteres estão submetidos ao poder econômico que envolve diretamente as empresas de comunicação.
A liberdade de imprensa é uma ideologia alimentada por inocentes ou por jornalistas bem recompensados com dinheiro ou status. Por mais que o repórter faça um bom trabalho ele será submetido à linha editorial de sua empresa e aos seus patrocinadores. O grande desafio para os jornalistas investigativos é superar a “censura empresarial” e criar novas alternativas de veiculação. Mais do que isso, o repórter tem que ter consciência de que sua matéria é feita para o benefício da sociedade em busca da democratização e não para colaborar com o capitalismo opressor.

IMK

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