
A Agricultura Catarinense pode deixar de emitir 12,2 toneladas de gás-carbônico na atmosfera nos próximos 20 anos graças às ações previstas no Programa SC Rural-Microbacias 3. O Programa, que deve ser implantado ainda este ano, é voltado para agricultores familiares do Estado e tem duração prevista de seis anos.
O cálculo da redução de emissão de gás-carbônico foi feito pelas engenheiras-agrônomas da Epagri/Ciram Mara Benez e Elisângela Benedet e pelo engenheiro-agrônomo Vicente Sandrini Pereira, da equipe da Secretaria Executiva do Programa SC Rural/Microbacias 3. O estudo faz parte da publicação Estimating Mitigation Potential of Agricultural Projects: an Application of the EX-Ante Carbon-balance Tool (EX-ACT) in Brasil, lançada mundialmente em abril pela FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Leia a íntegra em inglês na biblioteca deste site.
O estudo é a aplicação de uma metodologia desenvolvida pela FAO para cálculo de redução de emissão de gás-carbônico em regiões de clima Tropical e Subtropical. A publicação da FAO reúne também estimativa feita pela equipe técnica do Rio Rural, projeto de microbacias do Rio de Janeiro semelhante ao catarinense. Além de estar disponível no site da instituição (FAO), a publicação é distribuída para público específico em eventos mundiais relativos à temática de sequestro de carbono.
Para deixar de emitir as 12,2 toneladas de gás-carbônico nos próximos 20 anos os agricultores apoiados pelo SC Rural -Microbacias 3 precisarão aderir às práticas propostas pelo Programa, que incluem recuperação de áreas degradadas, melhoramento de pastagens, expansão dos Sistemas Agroflorestais (SAF), recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP), melhoramento de sistemas produtivos e disseminação de práticas conservacionistas nas propriedades e adesão aos Sistemas Ecológico-Econômico (SIN) nas áreas dos dois corredores ecológicos.
Segundo as pesquisadoras da Epagri/Ciram, o estudo foi uma demanda da FAO e passou a integrar os critérios de avaliação do SC Rural-Microbaicas 3 frente ao Banco Mundial, entidade financiadora do Programa. Desta forma, ficou definido que serão feitas novas estimativas da redução da emissão de gás-carbônico daqui a três anos e ao final do SC Rural-Microbacias 3, daqui a seis anos.
A engenheira-agrônoma Elisângela Benedet avalia que a estimativa poderia ter um resultado ainda mais preciso se a metodologia empregada fosse adaptada à realidade brasileira. Mara Benez reforça a opinião da colega, lembrando que o modelo poderia ser melhorado, atendendo às especificidades locais, uma vez que é bastante generalizado.
O objetivo geral do Propgrama SC Rural-Microbacias 3 é aumentar a competitividade da agricultura familiar de Santa Catarina. Para isso irá apoiar investimentos no processamento de produtos agrícolas, na agregação de valor, na implantação de empreendimentos não-agrícolas, na melhoria dos sistemas produtivos, na defesa sanitária vegetal e animal, na melhoria das estradas rurais terciárias, na inclusão digital, na gestão de recursos hídricos e na estruturação de dois corredores ecológicos envolvendo a Bacia do Rio Timbó e Rio Chapecó.
O SC Rural-Microbacias 3 buscará também qualificar e consolidar as organizações criadas no Microbacias 2 para que se organizem em empreendimentos grupais e busquem o seu espaço no mercado. O Programa coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e desenvolvimento Rural envolve, além da Epagri, a Cidasc, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, a Secretaria de Estado da Infra-estrutura, a Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, a Fatma e a Polícia Militar Ambiental.
Fonte: Epagri/Ciram
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